Codó chegou aos 130 anos. A cidade maranhense, emancipada em 16 de abril de 1896, celebra o aniversário com uma programação que vai até 28 de abril e inclui entregas de obras em comunidades que esperavam por infraestrutura básica há muito tempo.

Uma cidade construída por muitas mãos

A história de Codó é densa. Índios Barbados, Guanarés e Urubus habitavam a região quando os portugueses chegaram subindo o rio Itapecuru no século XVIII em busca de ouro. A disputa pela terra foi violenta — o padre jesuíta João Villar foi assassinado pelos indígenas às margens do rio Codozinho em 1719, e o governador da época mandou tropas que exterminaram parte das comunidades nativas. A colonização avançou sobre essas cinzas.

Negros escravizados chegaram em levas pelos navios que atracavam no Porto do Balão. Sírios e libaneses vieram a partir de 1887 e ajudaram a movimentar o comércio local. Esses três fluxos — indígenas, portugueses e africanos, com a contribuição árabe — formaram o povo codoense.

E tem mais: Codó é hoje o município brasileiro com a maior concentração de terreiros de religião afro-brasileira por metro quadrado. São 400 centros umbandistas só na cidade. Isso não é detalhe. É identidade.

De vila a cidade: 130 anos de emancipação

O processo foi gradual. O povoado virou vila pela Lei Provincial nº 07, de 29 de abril de 1835. Sessenta anos depois, em 16 de abril de 1896, o governador Alfredo da Cunha Martins sancionou a Lei estadual nº 13 e Codó passou oficialmente à condição de cidade. Em 1900, o futuro presidente Afonso Pena visitou o município a bordo do vapor São Salvador, a caminho de Caxias.

Hoje, com cerca de 118 mil habitantes segundo estimativa do IBGE de 2024, Codó é a sétima maior cidade do Maranhão e polo da Região dos Cocais. Fica a 300 km de São Luís e a 170 km de Teresina. O PIB municipal ultrapassou R$ 1,6 bilhão em 2021, décima primeira maior força econômica do estado.

Aniversário com obras: água para quem esperava há anos

No domingo 12 de abril, a Prefeitura entregou um poço artesiano no povoado Vila Verde, na zona rural da Trizidela. A obra foi executada pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Codó (SAAE) e encerrou um problema que durava há anos: o sistema antigo era ineficiente e deixava os moradores até quatro dias sem fornecimento de água.

Quatro dias sem água. Num país com o Código Sanitário que o Brasil tem, isso ainda acontecia em 2026.

O novo sistema garante abastecimento contínuo para todas as residências do povoado. A inauguração aconteceu na própria comunidade, com a presença do prefeito Chiquinho FC (PT) e dos moradores beneficiados. A gestão municipal informa que o plano é expandir esse modelo para outros bairros e zonas rurais do município.

O que ainda falta

As comemorações seguem até 28 de abril com entregas de obras e serviços à população. É um calendário bem montado para o aniversário — e, convenhamos, a estratégia de usar as celebrações para dar visibilidade a obras que deveriam ter chegado antes é conhecida por todo gestor público do país. O mérito está em entregar. O problema seria não entregar.

Codó tem IDH de 0,595, classificado como baixo pelo PNUD. Está na 4.255ª posição no ranking nacional. Com 130 anos de história rica e uma posição geográfica e cultural relevante no Maranhão, a cidade ainda carrega desafios sérios em infraestrutura e desenvolvimento social. O poço no Vila Verde é um passo. Só que um município do porte de Codó precisa de muitos.