O dinheiro nunca chegou. Beto Barbosa usou o Instagram nesta quinta-feira (23) para cobrar publicamente o pagamento pelo show que fez no Réveillon de Natal, na virada de 2024 para 2025. A apresentação aconteceu na Praia de Ponta Negra, foi organizada pela Prefeitura da cidade e reuniu um público estimado em 150 mil pessoas. O responsável pela gestão na época era Álvaro Dias, do PL, hoje pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte.
O valor do contrato estava publicado no Diário Oficial do Município desde 25 de novembro de 2024: R$ 130 mil.
O que Beto Barbosa disse no vídeo
No vídeo, o cantor foi direto. Disse que amou se apresentar ali, que o público foi enorme, que a noite foi marcante. E que não viu a cor do dinheiro.
"Paguei todos os impostos, avião, traslado, músicos, bailarinas. Paguei tudo, adiantei tudo e o prefeito não me pagou. Se ele quiser me pagar, eu aceito", afirmou.
Autor de clássicos como Adocica, Preta e Dance e Balance, Beto Barbosa não é um nome qualquer no forró e na música popular nordestina. Cobrar publicamente um prefeito num vídeo de Instagram não é algo que se faz por impulso. O vídeo bateu 66 mil visualizações até o fechamento desta reportagem.
O contexto do show e o que estava em jogo
A festa de virada de ano em Ponta Negra tinha um peso simbólico além da programação musical. Era a primeira grande celebração pública na faixa de areia após a conclusão da obra de engorda da praia, projeto que consumiu recursos e atenção da gestão Álvaro Dias durante boa parte do mandato.
Além de Beto Barbosa, subiram ao palco naquela noite Fabinho Miranda, Netinho e Thúllio Milionário. A orla reformada foi usada como vitrine da administração municipal. Só que um dos artistas contratados para compor essa vitrine saiu sem receber.
Isso é, no mínimo, constrangedor.
O momento político complica tudo
A denúncia não cai num momento neutro. Álvaro Dias está se posicionando para a disputa pelo Governo do Estado em 2026 e aparece como um dos principais nomes do PL no Rio Grande do Norte. Uma acusação pública de calote a fornecedor contratado, com valor registrado em Diário Oficial, é exatamente o tipo de ruído que pré-campanhas tentam evitar.
Mas não há como ignorar: o contrato existia, o show aconteceu, o público estava lá. O que ainda não apareceu foi o pagamento.
A reportagem tentou obter posição de Álvaro Dias sobre as acusações, mas não obteve resposta até a publicação desta nota.